Jornalismo e a cobertura de um protesto

junho 12, 2013

Aumento no preço das tarifas de ônibus, Marcha da Maconha, Estatuto do Nascituro. Não importa a causa. Em algum momento de suas carreiras, jornalistas vão se deparar com a cobertura de uma manifestação que exprime conflitos sociais. O jeito que a notícia é contada pode influenciar a opinião pública ou como uma sociedade reage ao evento. Muitas vezes, a cobertura pode ser distorcida.  Antes que você assine em seu texto que uma lixeira quebrada “virou uma praça de guerra”, leia algumas dicas básicas que preparamos para uma cobertura mais equilibrada.

1. SEJA IMPARCIAL

É importante que você vá sem ir para defender ou atacar a causa. Mesmo que você não concorde com ela, manifestações são legítimas e fazem parte do direito do cidadão. Não defenda o seu ponto de vista pessoal. Cuidado com especulações ou teorias da conspiração, você não está fazendo um texto opinativo. Informe os dois lados do conflito e foque no objetivo de transmitir a informação.

2. SAIBA COM QUEM FALAR 

Na passeata, nunca entreviste uma pessoa que não sabe o motivo de estar ali. Entrevistar a pessoa errada pode facilmente prejudicar um movimento ou reforçar preconceitos, como mostrar apenas as pessoas “exóticas”. Você está ali para esclarecer e não para ridicularizar. Demostre respeito com os entrevistados. Nos arredores da passeata  é comum a entrevista de populares para comentar o que acham do protesto. Procure mostrar diferentes pontos de vista.

3. APURE DADOS EXATOS

A passeata contou com dez mil ou cem mil pessoas? Em qual dado você vai confiar? Distorções nos números são frequentes e essa imprecisão de dados não é culpa do repórter. A solução é citar a versão oficial da polícia e a versão dos organizadores da manifestação, claro, sem nunca esquecer de comentar a fonte.

4. CONTEXTUALIZAÇÃO 

Toda passeata se relaciona com um conflito ou uma demanda de determinado grupo da sociedade. As consequências de um protesto não podem ser apenas um trânsito mais complicado. Contextualizar esta questão social é fundamental para uma matéria. Dados e informações que ajudem o leitor a entender o panorama geram conhecimento e reflexão. Passeatas também podem ser a ponta do iceberg de um movimento social muito maior, que até poderia render uma série de reportagens, ou serem provocadas por motivos além daquele. Economia, briga política, podem ser diversos fatores. Será que seu veículo prestou atenção nisso?

5. FOTOGRAFIAS

Fique atento a detalhes que ajudam a contar a história. Fotografar cartazes com frases de impacto, cenas curiosas.  Mas cuidado com as legendas. Nunca coloque uma legenda que você não tem certeza exata do que está acontecendo. Nem toda a imagem é o que você vê na imagem.

6. E QUANDO A TEMPERATURA SOBE?

Situações podem fugir do controle. De um lado, são as pessoas, que podem sofrer violência e abusos de autoridade. De outro, o perigo do vandalismo do patrimônio público ou privado. Em relação ao primeiro grupo, nem sempre a versão oficial é a verdade ou o policial é sempre o vilão. Já em relação ao espaço, contar o número de lixeiras depredadas, carros queimados ou ônibus depenados trazem o panorama de uma situação dramática. Mas cuidado para não soar sensacionalista. Em relação à violência, tenha sempre em mente que portar uma câmera fotográfica ou um crachá não evita que a violência chega até você. Tenha em vista uma rota de saída para não ser pego no meio da confusão.

7. USANDO AS REDES SOCIAIS

O Twitter pode ser uma boa ferramenta para cobrir um movimento de longa duração, como o Occupy Wall Street e a ocupação da praça na Turquia. Mas cuidado para não espalhar boatos em vez de informação. O mais importante é checar se os personagens dessa história estão na rede e se você está seguindo os perfis corretos. As redes sociais ajudam a ficar em dia com o movimento e é um termômetro dos protestos. Outra dica é criar uma galeria de fotos colaborativa com imagens enviadas por leitores que estiveram no evento. É um jeito de mostrar diferentes lados.

Por Carolina Cunha e Andreia Martins, da Novelo

 

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